UFSCar promove palestra sobre rankings universitários e sugere contribuições para indicadores de inovação

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Rogério Meneghini durante a apresentação sobre o RUF, na qual explicou os indicadores utilizados e recebeu sugestões (Foto: Heber Macedo – CCS/UFSCar)

A Pró-Reitoria de Pesquisa (ProPq) da UFSCar promoveu, no dia 1º de dezembro, a palestra “Ranking das Universidades Brasileiras: Desempenho na Pesquisa e no Ensino”, com o apoio do Núcleo de Informação Tecnológica em Materiais (NIT/Materiais). O coordenador do ranking universitário do jornal Folha de S. Paulo (RUF) e Coordenador Científico da Biblioteca Digital SciELO, Rogério Meneghini, apresentou um panorama dos rankings universitários no mundo, bem como os objetivos da iniciativa coordenada pelo jornal.

Meneghini, ao lado do pesquisador Estêvão André Cabestré Gamba, também membro da equipe responsável pelo RUF, enfatizou a importância de classificar as universidades, uma vez que se observa o crescimento ano a ano de estudantes estrangeiros no Ensino Superior, que utilizam as informações para fazer suas escolhas. No mesmo sentido, segundo Meneghini, os países interessados em financiar a mobilidade internacional de seus estudantes também podem recorrer aos rankings para nortear seus investimentos. Partindo desse ponto, o coordenador do RUF levantou questões sobre o desafio de sintetizar diversos aspectos das instituições sem cometer injustiças, lidando com as imperfeições que inevitavelmente farão parte das avaliações. Completou explicando que a metodologia utilizada por sua equipe está em construção e passa por constantes ajustes para se adequar à realidade das universidades brasileiras.

A Diretora Executiva da Agência de Inovação da UFSCar, Ana Lucia Vitale Torkomian, questionou o critério adotado pelo RUF para avaliar a inovação nas universidades, composto unicamente pelo número de pedidos de registro de patentes no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Torkomian pontuou fragilidades desse indicador, observando que muitas universidades não fazem avaliação prévia dos comunicados de invenção e encaminham todos os registros que são apresentados por seus pesquisadores. Entretanto, a política do INPI é de conceder a proteção apenas àquilo que tem potencial comercial. Por isso, grande parte dos pedidos não são concedidos, ainda que o número de patentes concedidas também não seja o indicador mais adequado, uma vez que a concessão costuma ocorrer em média dez anos após o depósito do pedido.

“Um pedido de patente, antes de ser divulgado pelo INPI, passa pelo chamado período de sigilo. Assim, os dados utilizados pelo RUF para avaliar a inovação estão defasados em pelo menos 18 meses da publicação do ranking, já que essa é a duração do período de sigilo após o encaminhamento do pedido. A quantidade de licenças seria uma medida mais adequada da contribuição das universidades para a inovação, visto que é por meio delas que as patentes poderão chegar ao mercado. Mesmo licenciadas, ainda há um risco de que as patentes não gerem inovação de fato, por isso poderia ser interessante identificar, dentre as patentes licenciadas, quais as que efetivamente geraram produtos ou serviços, o que também pode ser medido pelos royalties auferidos pelas universidades”, avaliou Torkomian. A Diretora destacou também que a avaliação não contempla outras modalidades de propriedade intelectual, como registros de softwares e cultivares. A partir dessa conversa, Torkomian foi convidada a contribuir para as próximas edições do ranking, discutindo com os pesquisadores formas mais eficientes de avaliar a inovação produzida nas universidades brasileiras.

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