UFSCar participa de processo de formulação de política para a elaboração de questões do ENEM

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Coordenadora Geral do BNI na UFSCar, Carla Alexandra Ferreira, docente do Departamento de Letras. (Crédito: Beatriz Maia / AECR)

A UFSCar integra desde 2011 um grupo de 30 universidades que elaboram questões para inclusão no Banco Nacional de Itens (BNI) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e, assim, para utilização no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). A Universidade foi selecionada por meio de chamada pública e, desde então, tem seu trabalho reconhecido pelo Instituto, que aprova mais da metade dos itens submetidos, um índice considerado bastante elevado. O reconhecimento desses esforços resultou no convite para a Coordenadora Geral do BNI na UFSCar, Carla Alexandra Ferreira, do Departamento de Letras (DL), integrar a Comissão de Assessoramento Técnico-Pedagógico da Diretoria de Avaliação da Educação Básica do INEP. A Comissão é responsável pelo acompanhamento dos itens elaborados pelas universidades e pela condução das políticas que orientam a formulação dos itens.

Atualmente, a UFSCar conta com nove elaboradores de questões e nove revisores na área de “Linguagens, Códigos e suas tecnologias” e um elaborador e um revisor na área de “Ciências Humanas e suas tecnologias”. Anualmente, são realizadas cerca de cinco oficinas, com duração média de um mês cada, durante as quais cada docente participante elabora, a cada oficina, seis questões. O material passa, então, pelos revisores das áreas, e é enviado para uma segunda revisão, realizada por dois revisores de outras instituições, para então ser enviado ao INEP, que avalia e delibera sobre a inclusão do item no Banco.

Uma vez incluídos no BNI, os itens podem eventualmente ser usados no ENEM, ou seja, a utilização não acontecerá necessariamente. Isto porque, quanto maior o banco de itens, menor a possibilidade de haver vazamento de informações, já que, entre muitas questões, é difícil precisar em qual prova determinada questão constará. Também para garantia de segurança, cada questão que entra no BNI fica vinculada aos nomes dos professores responsáveis por sua elaboração e revisão, e também às instituições de origem, o que facilita a responsabilização por possíveis fraudes ou erros. Além disso, todo o trabalho é realizado dentro de uma sala protegida dentro da Universidade, que impede a saída de qualquer tipo de dado.

Na UFSCar, antes do início de cada oficina, é realizada uma chamada interna para selecionar docentes que tenham interesse em elaborar ou revisar itens, e os docentes são capacitados para colaborar na produção. Os itens são elaborados de acordo com a matriz de conteúdos que compõem o ENEM. A partir de 2015, o INEP orientou um novo formato para as oficinas de produção de itens, instituindo a composição de painéis. Os elaboradores e revisores, que antes trabalhavam independentemente, agora trabalham juntos, promovendo discussões de avaliação da produção, orientados pelos coordenadores de suas respectivas áreas.

A Coordenadora do BNI na UFSCar ressalta a importância do processo de elaboração dos itens e os cuidados para assegurar a qualidade do material. “Os itens devem avaliar a capacidade de solucionar um problema contextualizado, relacionado às habilidades que o estudante deve ter adquirido na Educação Básica. Outro ponto fundamental é a interdisciplinaridade dos conteúdos, que são articulados para orientar o aluno a pensar em uma questão e utilizar habilidades diversas. Além disso, não pode haver nenhum tipo de ‘pegadinha’, ou alternativa absurda, cuidando também de fatores como tempo médio para resolver a questão”, explica. Ferreira destaca também a participação dos docentes durante todo o processo. “É muito interessante que os professores sejam ouvidos do começo ao fim desse processo. Trabalhando agora no formato de painéis, temos a oportunidade de refletir coletivamente sobre os conteúdos, além de elaborar itens de melhor qualidade, o que fez com que o INEP tenha aprovado cerca de 80% do material submetido pela UFSCar na primeira oficina de 2015. A Universidade acumulou experiências muito importantes nesses quatro anos de colaboração com o BNI e consolidou sua participação. Esse trabalho foi valorizado institucionalmente desde o princípio, e hoje temos o reconhecimento também do INEP do papel central que desempenhamos aqui”, avalia a docente.

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