UFSCar debate formação de profissionais de Saúde em consonância com a Política de Saúde da População Negra

Nos dias 21, 22 e 23 de março, o Campus Sorocaba da UFSCar sediou o I Encontro “Avaliação em Educação e Saúde no Campo das Relações Raciais”. O objetivo do evento foi discutir a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) e das Diretrizes Curriculares para a Educação das Relações Étnico-Raciais (DCNERER) nos cursos de formação de profissionais da Saúde.

Durante o evento, professores da Universidade de Brasília (UnB), das universidades federais Fluminense (UFF), do Maranhão (UFMA), da Bahia (UFBA) e de Alagoas (UFAL), da USP, do Centro Formador de Pessoal para Saúde de São Paulo (Cefor-SP) e da própria UFSCar apresentaram projetos pedagógicos voltados à inserção da PNSIPN nos cursos de formação inicial e permanente dos profissionais da Saúde e produziram um documento final com um rol de conteúdos e práticas formativas relacionadas à PNSIPN.

De acordo com Rosana Monteiro, docente do Departamento de Ciências Humanas e Educação (DCHE) da UFSCar e uma das organizadoras do encontro, a PNSIPN chama a atenção dos profissionais da Saúde para as especificidades dos processos de saúde e doença da população negra. “Mais do que isso, ela destaca o quanto o racismo institucional afeta a saúde dessa população e qual pode ser o papel do profissional de Saúde na reprodução e perpetuação de processos de adoecimento respaldados na ideologia racista. Desvendar esse racismo presente nas práticas de Saúde é fundamental. Além disso, há doenças prevalentes na população negra que precisam ser conhecidas; portanto, a formação dos profissionais de Saúde não pode prescindir da PNSIPN”, afirma Monteiro.

O documento formalizado após o evento aponta, principalmente, que os cursos da área ainda negligenciam a PNSIPN e, assim, que é urgente a necessidade de capacitar professores formadores, profissionais em serviço, gestores e estudantes sobre as DCNERER e a Política, indicando também a necessidade de criação de instrumentos para a informação, formação e avaliação da implementação das políticas nesses cursos.

Para a professora Waldenez de Oliveira, Secretária Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar, a Universidade – historicamente preocupada com a construção de uma sociedade mais igualitária – deu, com a realização do encontro, mais um passo importante nessa direção ao contribuir para a formação de profissionais da Saúde atentos às necessidades da população negra. “A UFSCar vem consubstanciando em sua política institucional a promoção da equidade em relação à população negra, especialmente na atual Política de Ações Afirmativas. A par dos ganhos obtidos com essa Política, queremos agora avançar no que se refere ao currículo de formação de profissionais atuantes no seio de uma sociedade multicultural e pluriétnica, incluindo nessa formação o combate a todas formas de violência, preconceito e discriminação”, afirma a Secretária.

O encontro foi uma iniciativa do Grupo de Pesquisa em Educação, Territórios Negros e Saúde (ETNS) da UFSCar, em parceria com o Grupo de Pesquisa Enfermagem e Políticas de Saúde Mental (GEnPSM) da Escola de Enfermagem da USP. O evento contou o apoio das pró-reitorias de Extensão (ProEx), de Graduação (ProGrad) e de Pós-Graduação (ProPG), da Secretaria Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade, do Centro de Ciências Humanas e Biológicas (CCHB) e do Departamento de Ciências Humanas e Educação (DCHE) da UFSCar.

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