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UFSCar apresenta trabalho sobre políticas de ingresso de estudantes indígenas e em situação de refúgio em fórum da Unesco

No início de agosto, a UFSCar esteve representada no “IV Foro Regional Responsabilidad Social Territorial – Tendencias en America Latina y el Caribe”. Organizado pelo Observatório de Responsabilidade Social para América Latina e Caribe (Orsalc) da Unesco, o evento foi realizado na cidade de Cartagena, na Colômbia, e contou com a participação de quatro universidades brasileiras.

O Coordenador de Ingresso na Graduação da Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad) da UFSCar, Wagner Souza dos Santos, apresentou trabalho sobre o ingresso de estudantes indígenas e e em situação de refúgio na UFSCar, abordando os princípios da diversidade e equidade e destacando o acompanhamento pedagógico oferecido pela Universidade. O trabalho foi desenvolvido em coautoria com a Pró-Reitora de Graduação, Claudia Raimundo Reyes, e com a Coordenadora de Acompanhamento Acadêmico e Pedagógico para Estudantes da ProGrad, Thaís Juliana Palomino. O convite para a apresentação da experiência da UFSCar surgiu da participação da Universidade no II Encontro de Responsabilidade Social das Universidades Brasileiras, realizado em junho.

No Fórum, foram apresentados 103 trabalhos relacionados à temática da responsabilidade social territorial, com a presença de mais de 450 instituições de 17 países. Os trabalhos foram enquadrados em cinco temas: Patrimônio, Educação, Equidade, Governança e Meio Ambiente. Ao final do encontro, foi assinado o Manifesto de Cartagena, com diretrizes para a oferta de Educação Superior ancorada em princípios que tratam da construção de relações territoriais reumanizadoras e da valorização de lógicas de convivência.

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Estudantes indígenas apresentam proposta de ações afirmativas para a pós-graduação

Da esquerda para a direita: Márcia Cominetti, Mayara Suni, Rosa de Oliveira, Cláudia Reyes, Lennon Corezomaé e Tainara de Castro (Foto: Beatriz Maia – AECR/UFSCar)

Da esquerda para a direita: Márcia Cominetti, Mayara Suni, Rosa de Oliveira, Cláudia Reyes, Lennon Corezomaé e Tainara de Castro (Foto: Beatriz Maia – AECR/UFSCar)

Ontem (18/5), estudantes indígenas da UFSCar apresentaram uma proposta de ações afirmativas para a pós-graduação. Lennon Ferreira Corezomaé, estudante do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), Mayara Suni, estudante de graduação em Ciências Sociais, e Tainara Torika de Castro, estudante de Biblioteconomia e Ciência da Informação, estiveram reunidos com a Pró-Reitora de Graduação, Claudia Raimundo Reyes, a Coordenadora Acadêmica da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Márcia Regina Cominetti, e a Coordenadora do PPGE, Rosa Maria M. A. de Oliveira. A proposta é fruto de discussões realizadas pelo coletivo de estudantes indígenas da UFSCar, a exemplo do que foi retratado na Semana dos Estudantes Indígenas realizada no ano passado, quando foram discutidos os desafios da pós-formação.

No evento deste ano, a discussão avançou, e a Pró-Reitora se comprometeu a encaminhar a discussão na Universidade. Reyes destacou a feliz coincidência do encaminhamento da proposta com a portaria do Governo Federal publicada em 11 de maio que estabelece o prazo de 90 dias para que Instituições Federais de Ensino Superior apresentem propostas de ações afirmativas para a pós-graduação. “Este coletivo de estudantes indígenas nos apresentou a proposta e, coincidentemente, poucos dias depois, a portaria foi publicada, pautando a questão nacionalmente. Temos, por enquanto, apenas um estudante indígena na pós-graduação, mas a mobilização está bastante organizada na Universidade, o que nos deixa muito contentes. Com o sucesso das políticas de ações afirmativas para a graduação, estamos formando cada vez mais pessoas aptas e interessadas na pós-graduação, e precisamos pensar em políticas para garantir o acesso efetivo de diferentes populações”, avalia a Pró-Reitora.

Para Corezomaé, a proposta é um ponto de partida para embasar as discussões na Universidade. Ele destaca a necessidade de consultar outras populações, como pessoas negras e com deficiência, para propor ações que contemplem as necessidades específicas dos grupos. “Noto como os programas de pós-graduação possuem políticas para estudantes de outros países, mas não têm para diferentes populações do Brasil. Trazemos uma proposta emergencial, pois não é possível continuar negando o acesso de indígenas à pós-graduação; temporária, pensando na construção de um futuro de equidade; e experimental, para que tenhamos a oportunidade de reavaliá-la periodicamente. Fizemos uma proposta para o PPGE entendendo que um programa da área da Educação deve promover uma educação libertadora tal qual as teorias que discute, mas esperamos que os outros programas possam se inspirar no documento e promover suas discussões, uma vez que a portaria já estabeleceu o prazo”, pontua o estudante.

A proposta contempla formas diferenciadas de acesso, reserva de vagas, políticas de assistência estudantil e outros aspectos. A proposta será discutida por estudantes e docentes do PPGE e acompanhada pela ProPG. A íntegra do documento está disponível online.

 

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CoG: Conselho aprova destinação de vagas remanescentes do processo seletivo de pessoas refugiadas para indígenas

A 60ª Reunião Ordinária do Conselho de Graduação (CoG) da UFSCar, realizada na última segunda-feira (16/5), deliberou sobre diferentes formas de ingresso nos cursos de graduação da Universidade. O Conselho foi apresentado aos dados sobre o ingresso por meio do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), o ingresso de indígenas, de pessoas em situação de refúgio e no curso de Música. Os membros do CoG puderam analisar e discutir os últimos processos seletivos, revalidando os modelos para o próximo ano. Além disso, a representação discente no Conselho apresentou uma proposta de remanejamento das vagas não ocupadas no processo seletivo para pessoas refugiadas.

Nos cursos de graduação da UFSCar, duas vagas adicionais são destinadas para dois processos seletivos específicos: para indígenas e para pessoas refugiadas. Quando não há pessoas inscritas ou aprovadas para qualquer uma das vagas, ela deixa de existir. Na proposta encaminhada pela representação discente, organizada por meio do Centro de Culturas Indígenas (CCI) da UFSCar, as vagas não ocupadas por pessoas refugiadas poderão ser destinadas a indígenas, caso haja pessoas aprovadas.

O estudante Marcondy Maurício de Souza, do povo Kambeba, fez a apresentação da proposta, que considerou toda a trajetória de lutas e conquistas de estudantes indígenas na UFSCar, bem como o sucesso da mudança aprovada pelo CoG para o último processo seletivo específico, que realizou as provas em quatro capitais. “Com a ampliação dos locais de prova do vestibular indígena, apareceu uma demanda muito maior de indígenas procurando a Universidade, e esta demanda só pôde aparecer quando a oportunidade foi dada. Falo em nome do CCI da UFSCar, e em nome de nossos povos e ancestrais, que não tiveram a oportunidade de estarem na universidade, mas de quem as lutas contribuíram para que pudéssemos estar aqui. Avançamos muito desde que, há oito anos, ingressaram os primeiros indígenas na UFSCar, mas ainda precisamos avançar mais. Ainda lutamos diariamente para sermos aceitos, ainda sofremos exclusão em sala de aula, e acreditamos que aumentar nossa presença nesses espaços fortalecerá nossas lutas. Além disso, tenho que ressaltar que nossos colegas formados desempenham trabalhos muito importantes em suas comunidades de origem, locais extremos do País para onde pessoas não indígenas não querem ir”, afirmou o estudante. Continue reading

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II Semana dos Estudantes Indígenas da UFSCar começa amanhã

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Amanhã e sexta, a UFSCar será novamente palco de debates sobre temáticas dos povos indígenas do Brasil, com a realização da II Semana dos Estudantes Indígenas da UFSCar. Com o tema “Indígenas – O outro lado da história”, a iniciativa é liderada pelo Centro de Culturas Indígenas da UFSCar (CCI), com o apoio da Coordenadoria de Ações Afirmativas e outras Políticas de Equidade (Caape) da Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad) e da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (ProACE). A programação  do evento está organizada em mesas-redondas, palestras, apresentações culturais e um torneio esportivo.

No ano passado, a primeira edição do evento teve como destaque as discussões sobre os desafios da pós-formação dos indígenas, e o sucesso da iniciativa garantiu a realização da segunda edição. Estudante do segundo ano de Medicina, Karla Caroline Teixeira, do povo Pankararu, conta que a programação foi elaborada coletivamente pelo conjunto de estudantes, e motivada pelo Dia do Índio. “Aproveitamos a atenção do dia 19 de abril para fazer o evento, mas reforçamos que este não é o único dia para representar a população indígena. Os debates continuam acontecendo, e convidamos as pessoas para que participem”, pontua a estudante.

Paulo Henrique Gomes da Silva, estudante do curso de Gestão e Análise Ambiental, também da etnia Pankararu, explica que neste ano a Semana dará continuidade aos debates que já ocorrem na Universidade. Ele destaca a experiência do CCI na organização de eventos, como o Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas (ENEI) e a SBPC Indígena, como fundamental para fomentar as discussões na UFSCar. “Enxergo este caminho como muito proveitoso. Reunimos esforços para trazer as discussões sobre os povos indígenas para a Universidade, e acredito que já avançamos bastante. Entretanto, ainda é preciso mudar o pensamento das pessoas, que têm olhares estereotipados para a população indígena. É um trabalho lento, mas fazendo essas discussões por meio do debate acadêmico é que vamos avançar cada vez mais”, afirma o estudante.

Os desafios e conquistas da presença indígena na Universidade embasam as discussões da Semana. “Os desafios estão relacionados às questões de permanência na Universidade e outras relacionadas ao cotidiano do conjunto de estudantes indígenas. Já as conquistas dizem respeito aos espaços nos quais temos inserção, como o próprio CCI e a participação nos órgãos colegiados. Além disso, a conclusão da graduação de estudantes indígenas na UFSCar abriu as portas para o início de carreiras acadêmicas, e também para a atuação profissional, uma vez que colegas estão agora no mercado de trabalho e atuando em suas áreas com questões indígenas, a maioria, inclusive, em órgãos do governo”, relata Silva.

O evento terá início às 19h15 de amanhã (28/4), no Anfiteatro da Reitoria, com apresentação dos povos indígenas da UFSCar, seguida da mesa de abertura.

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UFSCar receberá 59 novos estudantes indígenas nos cursos de graduação

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Novos e antigos estudantes indígenas da UFSCar reúnem-se no Centro de Culturas Indígenas da Universidade para atividades de integração antes do início das aulas (Foto: Beatriz Maia – AECR/UFSCar)

Neste ano, a UFSCar receberá 59 novos estudantes indígenas nos cursos de graduação de seus quatro campi. Os ingressantes pertencem a 29 povos indígenas do País e vêm, em sua maioria, dos Estados de Amazonas e Pernambuco. Serão 37 novos estudantes indígenas no Campus São Carlos, 12 no Campus Sorocaba, cinco no Campus Araras e outros cinco no Campus Lagoa do Sino, que receberá estudantes indígenas pela primeira vez. Com isso, a UFSCar totaliza 143 estudantes indígenas na graduação, de 39 etnias. Como há uma vaga adicional em cada um dos 64 cursos de graduação da UFSCar para candidatos do processo seletivo para indígenas, praticamente todos os cursos da Universidade receberão ingressantes indígenas em 2016. Dos processos seletivos específicos para a graduação, ingressarão também quatro estudantes refugiados e sete do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G).

No processo seletivo de estudantes indígenas para este ano foram homologadas 479 inscrições dos 551 pedidos de candidatos indígenas de 16 Estados de todas as regiões do País, mais que o dobro do ano passado, quando foram recebidas 260 inscrições. O aumento se deve, em grande parte, à mudança no processo seletivo, que, em sua nona oferta, realizou pela primeira vez provas em quatro capitais: Cuiabá, Manaus, Recife e São Paulo. Até a edição passada, as provas eram realizadas exclusivamente no Campus São Carlos da UFSCar. A mudança foi aprovada pelo Conselho de Graduação (CoG) em maio de 2015, a partir de proposta dos próprios estudantes indígenas da Universidade. O objetivo é facilitar o deslocamento de candidatos de regiões do País que têm grande concentração de aldeias indígenas. A decisão foi subsidiada pelos números do processo seletivo para 2015, quando a UFSCar homologou a inscrição de 237 candidatos indígenas e pouco menos da metade compareceu às provas.

Acolhimento e integração

A recepção dos novos estudantes indígenas teve início nesta semana em todos os campi da Universidade, com exceção do Campus Lagoa do Sino, onde começará na próxima semana. A programação segue até o início das aulas também com os estudantes ingressantes pelo PEC-G e pelo processo seletivo para refugiados, em iniciativa conjunta da Coordenadoria de Ações Afirmativas e outras Políticas de Equidade (Caape) da Pró-Reitoria de Graduação (ProGrad) com os próprios estudantes da Universidade. Desde 2010, os estudantes indígenas organizam temas que consideram importantes para os calouros e contribuem com a realização das atividades de recepção, que têm como objetivo apresentar a Universidade, informar procedimentos relevantes para a vida acadêmica e integrar os estudantes.

“Os nossos estudantes indígenas constroem conosco as atividades de integração, nos trazendo demandas de atividades que eles julgam importantes e também participando da realização. Com base nas próprias experiências, eles são as melhores pessoas para identificar o que é importante para os calouros, e essa participação efetiva também contribui para a formação de amizades e redes de apoio que se consolidam no tempo em que passam na Universidade. Desde 2014 fazemos o acolhimento também com os estudantes PEC-G e, neste ano, convidamos os estudantes refugiados para participar da integração, com a certeza de que poderão se beneficiar bastante deste momento”, afirma a Coordenadora da Caape, Thaís Juliana Palomino.

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