Reitoria informa que Conselho Universitário será convocado para tratar das mobilizações em curso na UFSCar

Nos últimos dias, a Reitoria da UFSCar vem sendo cobrada a se posicionar e/ou a emitir orientações de diferentes naturezas sobre as mobilizações em curso na Instituição, seja as de paralisação de atividades, seja aquelas que reivindicam as condições para a sua continuidade.

Primeiramente, é preciso recuperar a publicação de três notas oficiais sobre essa situação. Em 19 de maio, uma primeira nota manifestou nossa defesa da manutenção dos espaços de debate entre ideias – necessariamente plurais e, muitas vezes, contraditórias – na Instituição. Em 24 de maio, manifestamos, simultaneamente, nosso compromisso histórico com o respeito aos movimentos de luta das diferentes categorias que compõem a comunidade universitária e nossa posição contrária ao fechamento dos edifícios de salas de aula (ATs), compreendido como estando em desacordo com as práticas democráticas de debate, mobilização e manifestação comumente adotadas na UFSCar. Destacamos que também o Conselho Universitário, reunido em 20 de maio, se posicionou nessa mesma direção, ou seja, manifestando o respeito aos movimentos de reivindicação e a preocupação com o fechamento dos ATs. Por fim, em 3 de junho, lamentavelmente nos vimos obrigados a publicar nota de esclarecimento frente aos boatos de que esta Administração estaria apoiando o fechamento dos ATs.

Informamos também que, em 25 de maio, convidamos e recebemos em audiência representantes do Diretório Central dos Estudantes e da Associação de Pós-Graduandos, oportunidade em que reiteramos nosso apelo veemente para que reconsiderassem a prática de fechamento dos ATs. A posição dessas entidades foi de que aguardariam os resultados das assembleias docentes, sobre os quais não recebemos informações precisas até o presente momento, a não ser pelas redes sociais.

É nossa prática buscarmos iniciar negociações tão logo sejamos comunicados oficialmente de movimentos de paralisação e/ou greve, para tratar tanto de eventuais pautas internas quanto de ações que garantam o funcionamento mínimo da Universidade e o respeito às diferentes posições presentes em sua comunidade. Na presente situação, no que diz respeito ao movimento docente, a única comunicação que recebemos até o momento foi ofício da ADUFSCar – datado de 8 de junho e assinado pelo 1º Tesoureiro do Sindicato, Gil Vicente Reis de Figueiredo – informando que “assembleia do campus São Carlos da ADUFSCar” realizada em 7 de junho aprovou o:

“Encaminhamento ao Conselho Universitário – ConsUni, em nome da Assembleia do campus São Carlos da ADUFSCar, de solicitação de interrupção do calendário acadêmico em respeito à greve deliberada pelos estudantes da UFSCar e, posteriormente, reorganização do calendário acadêmico sem prejuízo aos estudantes”.

Tal solicitação provocou grande estranhamento, já que entendemos não caber à Reitoria e/ou ao ConsUni a interrupção do calendário acadêmico. Tradicionalmente, o que acontece é que, após o encerramento dos movimentos de paralisação e/ou greve, os órgãos colegiados da Instituição avaliam essas necessidades de adequação e deliberam em relação às formas de equacionar as consequências desses movimentos.

Estamos cientes de que os impactos de movimentos de paralisação das atividades causam descontentamentos e reivindicações de medidas como o pedido de reintegração de posse ou outras ações pela via judicial ou de enfrentamento direto de manifestantes, práticas estas que buscamos evitar pela nossa crença no caminho do diálogo e da negociação. Estamos cientes também de que estamos sendo acusados de tratar diferentemente movimentos de técnico-administrativos e de estudantes, acusações estas que não só não são verdadeiras, como têm claramente objetivos escusos relacionados ao contexto eleitoral em que nos encontramos. Reiteramos o que toda a comunidade tem podido acompanhar ao longo de nossa trajetória, que é justamente essa posição de respeito a todos os movimentos e de busca pela não utilização de outros meios que não a tentativa incansável – e nem sempre frutífera, infelizmente – de diálogo e negociação, ainda que tal postura não seja necessariamente compreendida como a mais adequada por todos os integrantes da comunidade universitária. No entanto, é esta nossa posição.

Não cabe à Reitoria aderir e/ou se posicionar em defesa de um ou outro movimento das categorias da comunidade universitária. O que nos cabe, e temos feito, é agir nas esferas de nossa competência defendendo a universidade pública, gratuita e de qualidade e a preservação de direitos e conquistas diante do cenário de instabilidade do País. Diferentemente do que tem sido sugerido, todas as nossas ações não tem outro objetivo senão o de proteger a Universidade e os direitos de todas e todos que aqui estudam e/ou trabalham. Para que possamos esclarecer todos os pontos de incerteza mencionados nesta nota e embasarmos nossas decisões em consensos possíveis estabelecidos a partir dos processos democráticos de debate e tomada de decisão que são a marca desta Universidade, informamos por fim que estamos convocando Reunião Extraordinária do Conselho Universitário para o tratamento dessas questões.

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