Política de Saúde Mental da UFSCar foca em prevenção e promoção

Símbolo da saúde mental

Saúde mental: Política vai traçar estratégias de cuidados para a comunidade interna (Foto: banco de imagens Freepik)

O sofrimento psíquico é muitas vezes silencioso e bastante solitário. Ciente da urgência em tratar da saúde mental de forma institucional, com olhar integrado e que busca compreender a complexidade do fenômeno do sofrimento psíquico, a UFSCar inicia o processo de implementação da sua Política de Saúde Mental, sob coordenação da Pró-Reitora de Assuntos Comunitários e Estudantis (ProACE).

A política, fruto de processo sintetizado no relatório da Comissão para Estudos de Política de Saúde Mental para a UFSCar, prevê que a Universidade atue a partir da compreensão e identificação dos fatores desencadeadores de sofrimento, visando ação preventiva e de promoção da saúde mental.

Construída de forma coletiva – em amplas e abertas discussões com representantes de toda a comunidade universitária e inspirada nos modelos do Sistema Único de Saúde (SUS) –, a política está estruturada em sete eixos. Jair Borges Barbosa Neto, docente do Departamento de Medicina (DMed) e presidente da Comissão, explica que os eixos estão conectados e, além de prevenção e da promoção da saúde mental, incluem os cuidados e a estruturação do suporte institucional.

EIXOS – O Eixo 1, “Promoção e Prevenção”, é fundamental para as estratégias da política e serve de base para os demais. Nele, a atuação visa a criação de ambiente saudável e a prevenção de agravos em saúde mental, além da proposta de olhar atento a como são produzidos saúde, alívio e tensões dentro das relações institucionais e sociais.

O Eixo 2, “Redução de Danos”, diz respeito ao uso problemático de toda e qualquer substância psicoativa e nos cuidados possíveis para cada pessoa e grupo de uso. O Eixo 3, “Assistência”, aborda as ações de cuidado em si, principalmente quando o sofrimento já está estabelecido, considerando os diferentes lugares dos serviços na rede de atenção psicossocial.

O Eixo 4, “Gestão, Informação e Pesquisa”, vai tratar da necessidade de observação constante de informações que auxiliem a embasar planejamentos e diagnósticos situacionais e a compreender o fenômeno do sofrimento psíquico, bem como de avaliações das intervenções, programas e projetos que impactam na saúde mental da comunidade.

Ao Eixo 5, “Acadêmico e Pedagógico”, caberá aproximar as relações entre os fatores ensino/aprendizagem e o sofrimento psíquico, de modo a indicar medidas de prevenção.

O Eixo 6, “Documentações/Criação de Protocolo, Código de Ética da UFSCar/Corregedoria”, indicar a criação de um Comitê Permanente de Saúde Mental, dentre outros mecanismos. “Combate à Violência Institucional” é o Eixo 7, tratando de trote, bullying, assédio moral e sexual e racismo.

“A proposta expressa o desejo da comunidade interna por um ambiente que zele pela saúde mental de todas as pessoas e para isso, vamos atuar considerando as singularidades de cada uma e os diferentes fatores que levam ao sofrimento vivido pelos sujeitos, de forma a não estigmatizar quem está sofrendo. É fundamental destacar que o cuidado com a saúde mental de forma institucional traz resultados positivos no coletivo, melhora o clima institucional e faz da Universidade um lugar melhor, acolhedor e amigável”, destaca Barbosa Neto.

HISTÓRICO – A proposta começou a ser debatida em 2017, a partir da criação de grupos de trabalho para atuar em temas como prevenção de suicídio, desenvolvimento de cartilha de saúde mental, caracterização e diagnóstico da comunidade interna, redução de danos e articulação de rede e oferta de cuidados na UFSCar.

A partir disso, foi disparada a criação da Comissão para Estudos de Política de Saúde Mental para a UFSCar (Resolução CoACE nº 113, de abril de 2018), que produziu o relatório aprovado pelo Conselho Universitário (ConsUni) em fevereiro deste ano, após apreciação e aprovação pelo Conselho de Assuntos Comunitários e Estudantis (CoACE) em 2020. Agora, a Política de Saúde Mental para a UFSCar está recebendo ajustes sugeridos pelo ConsUni, e segue para o seu processo de operacionalização nos próximos meses.

ATENÇÃO À SAÚDE MENTAL NA PRÁTICA – Os serviços de atenção à saúde mental acontecem há tempos na UFSCar e estão vinculados a departamentos da ProACE, como os departamentos de Atenção à Saúde (DeAS) e de Assuntos Comunitários e Estudantis (DeACE) nos campi, à Unidade Saúde Escola (USE), dentre outras unidades.

Em linha com o Eixo 1 da Política de Saúde Mental e visando aprimorar esses serviços, está sendo planejado o lançamento da coleção “Atenção Psicossocial e Universidade”, para o dia 5/4, sob coordenação de Taís Bleicher, docente do Departamento de Psicologia. O objetivo é levar conhecimento acadêmico sobre os determinantes de sofrimento e suas formas de enfrentamento, em linguagem acessível, para toda a comunidade universitária.

O primeiro volume é “A continuidade da Atenção Psicossocial na Universidade: o acolhimento”, dedicado à caracterização e à indicação de boas práticas de acolhimento tanto de estudantes quanto de trabalhadores em ambientes acadêmicos. A proposta é que a coleção sirva como um guia e aborde diversos temas, como os serviços de saúde destinados à comunidade interna, questões de gênero, raça e etnia, dentre várias outras.

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