Esclarecimentos sobre a gestão de resíduos na UFSCar

Na última quarta-feira (27/1), o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UFSCar (SinTUFSCar) Sérgio Pinheiro Nunes levou ao Departamento de Gestão de Resíduos (DeGR) da Universidade jornalista do jornal Primeira Página, sem o conhecimento e na ausência da Chefe do DeGR. A visita provocada por Nunes teve como objetivo a publicação, na capa do jornal do dia seguinte e com grande destaque, da matéria intitulada “Produtos químicos transformam UFSCar em ‘bomba relógio’”. A referida matéria é repleta de incorreções e mentiras, alarma sobremaneira a população com tais informações inverídicas e, além disso, é um ataque à imagem pública da Universidade e, sobretudo, um desrespeito ao trabalho realizado por seus servidores técnico-administrativos no DeGR, que é, inclusive, consultado e visitado regularmente por outras instituições que consideram a UFSCar uma referência na área.

Diante desse desserviço perante a Universidade, seus servidores, a comunidade universitária e a população de São Carlos, a Administração Superior da UFSCar, juntamente com as direções da Secretaria de Gestão Ambiental e Sustentabilidade (SGAS) e do DeGR, dirigem-se neste momento à comunidade para, primeiramente, lamentar profundamente o ocorrido. É necessário que não apenas repudiemos a ação, mas também que nos indaguemos acerca de sua motivação e dos interesses envolvidos em sua realização. É preciso também que destaquemos que Nunes provocou tal desserviço sem qualquer intenção de conhecer as atividades e a real situação do DeGR, já que em nenhum momento utilizou os caminhos institucionais disponíveis para a obtenção dessas informações ou para promover um questionamento.

Vimos, no entanto, principalmente opor às mentiras veiculadas os fatos referentes à gestão de resíduos na UFSCar. Como já registrado, a Universidade é referência para outras instituições de Educação Superior e pesquisa pelos procedimentos que adota e pelo compromisso expresso, dentre inúmeras outras ações, na criação pioneira da Coordenadoria Especial para o Meio Ambiente (CEMA) e em sua transformação recente na Secretaria de Gestão Ambiental e Sustentabilidade. Especificamente no DeGR, resíduos químicos são triados, pesados, segregados e armazenados em recipientes adequados de acordo com sua compatibilidade química, sobre paletes, todos eles organizados e rotulados, como pode, inclusive, ser verificado nas fotos publicadas pelo Primeira Página. Periodicamente, empresa contratada para esse fim coleta esse material para destinação adequada e, como relatado por nós na própria matéria, se há no depósito no momento quantidade de resíduos armazenados superior à tradicionalmente encontrada, isto se deve ao fato de que, durante a greve de mais de cem dias do ano passado, servidores do Departamento foram orientados pela coordenação do SinTUFSCar a não realizarem as atividades necessárias à abertura do processo licitatório visando a contratação da referida empresa especializada.

Na matéria – que não pode ser chamada de notícia e/ou reportagem em nenhuma hipótese –, além da menção genérica a “precariedade no armazenamento”, é afirmado que “a proteção do espaço é feita com toldos desgastados”. De fato o espaço é protegido por toldos justamente para garantir a segurança, já que permitem a circulação de ar no local e, consequentemente, prevenção do acúmulo de gases. Tais toldos são de material que protege os recipientes armazenados no depósito dos raios solares e são periodicamente substituídos, sendo que aqueles atualmente em uso foram substituídos há três anos e passaram por manutenção há dois anos. Além disso, dentre outras medidas de segurança, há no depósito um estoque de cerca de 10 quilos de vermiculita expandida, material utilizado para a adsorção de substâncias químicas na contenção dessas substâncias e descontaminação da área no caso de um eventual derramamento. Por fim, a matéria também tenta demonstrar indignação frente ao fato de um conjunto de lâmpadas do Hospital Universitário ter sido encaminhado ao DeGR. Porém, o que deve gerar indignação no fato do Hospital da UFSCar encaminhar ao Departamento de Gestão de Resíduos da Universidade suas lâmpadas usadas, para que estas possam ser destinadas adequadamente, com a observação de todos os critérios ambientais e de segurança?

Se as afirmações equivocadas destacadas no parágrafo anterior podem ser atribuídas à ignorância, o mesmo não se pode dizer da afirmação de que os servidores do DeGR “têm de comprar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)”, ou seja, que a Universidade não o faria. Tal afirmação não possui fundamento algum, já que o DeGR tem orçamento próprio de cerca de R$ 4 mil anuais destinado a esse fim e fornece aos seus servidores todos os EPIs necessários, que são utilizados diariamente na manipulação e tratamento dos resíduos, não havendo, assim, qualquer compra de EPIs pelos servidores do Departamento.

Destacamos também como, mais uma vez, afirmações levianas são utilizadas para questionar os adicionais de insalubridade pagos aos servidores da Universidade, um tema que foi alvo de um processo completamente transparente de diálogo com as unidades e os servidores envolvidos, e que diz respeito a obrigações legais às quais a Instituição está sujeita e que não tem se furtado a questionar nacionalmente, por meio da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e de seu Fórum de Pró-Reitores de Gestão de Pessoas (Forgepe), como noticiado em mais de uma ocasião no Blog da Reitoria. Não podemos também deixar de registrar que é mentira a afirmação de que o coordenador do SinTUFSCar teria “questionado” e/ou “cobrado” a Reitoria sobre a temática principal da matéria, e que teríamos afirmado faltarem recursos para seu equacionamento. Como já abordado anteriormente, toda essa ação foi realizada sem que nós ou quaisquer outros gestores responsáveis fossem procurados.

Jamais nos furtamos a reconhecer problemas ainda por serem equacionados e avanços a serem implementados na gestão dos resíduos produzidos pela Universidade, bem como das condições de saúde e segurança no trabalho. Alguns exemplos de ações já em andamento são o diagnóstico das condições de segurança dos laboratórios da Universidade, que subsidiará a elaboração de um protocolo de segurança para esses laboratórios, e o aprimoramento dos procedimentos institucionais para a compra de EPIs para os laboratórios acadêmicos, que passaram a ser centralizados na Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas a partir de demanda identificada pelos próprios servidores atuantes nesses laboratórios durante o II Fórum Integração UFSCar. Infelizmente, também houve impactos sobre essas ações decorrentes da intransigência por parte do comando local de greve nas negociações realizadas durante a paralisação de 2015. Outro avanço será a construção de um novo edifício para o DeGR, com recursos aprovados pela Universidade em edital do CTInfra.

Desculpando-nos pela extensão deste relato, pedimos a compreensão da comunidade acerca de sua necessidade. Não podemos admitir esse retrato falacioso e perigoso de uma situação que, se verídica, configuraria caso de uma irresponsabilidade que jamais praticamos. Esperamos, com essas informações, termos minimizado os danos decorrentes dessa ação inadmissível por parte do coordenador do SinTUFSCar, ao menos parcialmente, já que, sem dúvidas, há prejuízos irreparáveis causados por esse lamentável episódio.

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