Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas prepara documento que sintetiza os debates realizados durante a primeira edição do evento, que aconteceu na UFSCar

A UFSCar sediou, na semana de 2 a 6 de setembro, o I Encontro Nacional de Estudantes Indígenas (ENEI), evento organizado pelos estudantes indígenas da Universidade. O ENEI reuniu, em São Carlos, estudantes de 45 etnias brasileiras, vindos de universidades de todo o País.

"A formação tem o papel de contribuir com o desenvolvimento das comunidades indígenas, e isto é o que mais nos motiva a ocupar esse espaço dentro das universidades", destacou Edinaldo dos Santos Rodrigues, primeiro psicólogo indígena formado na UFSCar. (Foto: CCS/UFSCar)

Na cerimônia de abertura do evento, a Coordenadora de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (Secadi/MEC), Rita Gomes do Nascimento, destacou a importância do Encontro. “Este encontro marca a história da organização dos indígenas no Ensino Superior, construindo um quadro de intelectuais indígenas no País e, também, uma agenda política de suas temáticas. Estamos vivendo um momento de trazer para a universidade os saberes indígenas e, nesse diálogo, construir uma nova ciência. Ainda temos um modelo de Ensino Superior monocultural, elitista e excludente. É necessário que a universidade se interculturalize e descolonize o conhecimento, e, nesse sentido, a presença dos estudantes indígenas é extremamente benéfica. Precisamos reinventar o modelo de universidade para, de fato, dialogar com outros conhecimentos e enriquecer o repertório de saberes”, afirmou Nascimento, indígena da etnia Potiguara.

Também durante a abertura do ENEI, Edinaldo dos Santos Rodrigues, primeiro psicólogo indígena formado na UFSCar, ressaltou o papel da formação universitária dos indígenas e a integração promovida pelo Encontro. “A formação tem o papel de contribuir com o desenvolvimento das comunidades indígenas, e isto é o que mais nos motiva a ocupar esse espaço dentro das universidades. Precisamos discutir como superar desafios e obstáculos que fazem com que a nossa formação seja tão difícil, e marcamos agora o início de uma forte integração entre os diversos povos indígenas que estão nas universidades.”

Nos demais dias, foram realizadas mesas compostas integralmente por lideranças indígenas para discutir temáticas relacionadas ao Ensino Superior. Os temas das mesas foram: As Ações Afirmativas e os Povos Indígenas; A Educação Escolar Indígena; Pesquisa e Extensão em Territórios Indígenas; Saúde Indígena e a Formação de Indígenas na área da Saúde; e O Movimento Indígena no Brasil e sua contribuição para a Formação de Indígenas. Todas as mesas foram transmitidas por videoconferência ao vivo, e os links para as gravações estão disponíveis na página do ENEI no Facebook. Houve também uma tarde reservada para apresentação de trabalhos realizados por estudantes de diversas instituições de Ensino Superior sobre Educação, Saúde, Políticas Públicas e Tecnologias, voltados para as questões atuais dos povos indígenas brasileiros.

Outro destaque do Encontro foi a reunião realizada com o Diretor de Políticas de Educação do Campo, Indígena e para as Relações Étnico-Raciais da Secadi/MEC, Thiago Thobias, e com a Pró-Reitora Adjunta de Assuntos Comunitários e Estudantis da UFSCar, Maria Aparecida Mello, para esclarecimentos e discussão sobre o Programa Bolsa Permanência do Governo Federal.

Desdobramentos
No encerramento do ENEI, foi realizado um fórum para elaborar o documento final do Encontro. Foi constituída uma plenária liderada pelos organizadores do evento, de posse dos relatórios de todas as mesas, para inclusão de pontos relevantes e consolidação das discussões empreendidas durante a semana. A plenária decidiu também a realização do II ENEI em 2014, na Universidade Católica Dom Bosco, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

O Reitor da UFSCar, Targino de Araújo Filho, fez uma breve participação no fórum, para parabenizar os participantes e reafirmar o compromisso da Universidade com o movimento indígena. “É um orgulho imenso para a UFSCar sediar o I ENEI e saber que os nossos estudantes lideram esse movimento de articulação dos estudantes indígenas do Brasil. Parabenizo a organização do evento, que tomou a iniciativa de promover esse grande encontro e discutir temáticas tão importantes. O ENEI já está repercutindo no MEC, e quero levar pessoalmente o documento final ao Ministério e, também, aos dirigentes das instituições federais de Ensino Superior”, comprometeu-se o Reitor. “A UFSCar já consolidou a reserva de vagas e o vestibular indígena, e ainda contamos com as cotas previstas na Lei. Com tudo isso, estamos passando por um período de reflexão, quando precisamos ampliar e aprimorar as políticas já existentes na Universidade. Precisamos fazer com que todos saibam o que foi realizado nesse Encontro, para que os reitores de universidades que ainda não têm acesso diferenciado e políticas específicas para indígenas passem a pensar a respeito”, complementou Araújo Filho.

Comissões compostas por estudantes das universidades participantes do I ENEI comunicaram-se virtualmente após o final do Encontro para concluir a elaboração do documento, que será disponibilizado virtualmente e entregue às diversas instâncias do MEC. Cinco estudantes – um de cada região do País, escolhidos durante a plenária de encerramento – foram convidados a irem a Brasília entregar o documento à Secadi, que financiará a viagem.

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