ConsUni debate Saúde Mental e combate à violência

Conselho Universitário da UFSCar em reunião transmitida pelo Canal UFSCar Oficial no Youtube

O Conselho Universitário (ConsUni) da UFSCar iniciou o mês de setembro com reunião sobre as ações de Saúde Mental e Qualidade de Vida em andamento na Instituição, realizada no dia 2 de setembro. O encontro visou também promover a reflexão sobre possibilidades futuras para enfrentamento de um quadro de adoecimento que, apesar de não ser novo, está agravado no retorno às atividades presenciais. No próximo dia 30, o tema volta à pauta do Conselho, agora com foco na Política de Prevenção, Redução e Mitigação de Danos da Violência.

Na reunião já realizada, o ConsUni aprovou mudanças na atuação do Comitê Gestor da Pandemia (CGP), para inclusão de medidas voltadas à Saúde Mental e outras áreas pertinentes ao momento atual de convivência com os impactos da crise. A Reitora da UFSCar, Ana Beatriz de Oliveira, situou que o encontro foi chamado em decorrência da morte de um estudante na Moradia Estudantil da Universidade. “Infelizmente, não foi a primeira ocorrência, mas foi especialmente simbólica, por se tratar de um estudante trans, negro, em situação de vulnerabilidade e, assim, de um corpo que sofreu as opressões mais frequentes em nossa sociedade”, registrou, para pedir um minuto de silêncio.

A Reitora também explicou que, como a Administração Superior recebeu vários questionamentos sobre o cuidado em Saúde Mental na Instituição, decidiu apresentar ao Conselho e, assim, à comunidade, as ações já em andamento, aquelas sendo iniciadas e outras planejadas para o futuro. Neste contexto, destacou os esforços empreendidos pela Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (ProACE). “É essencial reconhecermos o trabalho dos profissionais da ProACE no acompanhamento de estudantes, especialmente bolsistas. É um trabalho pouco visível, mas diuturno e, sem ele, o problema seria ainda maior”, registrou a dirigente.

Djalma Ribeiro Júnior, que está à frente da ProACE, detalhou esta metodologia de trabalho durante a reunião. “Primeiramente, é importante compartilhar que ações de atendimento, acolhimento e acompanhamento de estudantes e servidores com questões de Saúde Mental fazem parte do cotidiano da ProACE, e que conseguimos salvar muitas vidas com o trabalho dos profissionais que atuam na Pró-Reitoria”, registrou. O Pró-Reitor incluiu, nos esforços voltados à promoção de Saúde Mental e Qualidade de Vida, todo o trabalho realizado para garantir a inclusão no Programa de Assistência Estudantil – com bolsas Moradia, Alimentação e outras – de todos os estudantes com renda per capita familiar de até um salário mínimo, mesmo diante dos sucessivos cortes nos recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES).

Em relação ao acompanhamento específico de estudantes bolsistas, Ribeiro Júnior contou que cada uma das 2.228 pessoas atendidas atualmente tem um profissional de referência com quem se comunicar sobre qualquer situação que desejar. Outros estudantes e servidores também podem ter esse acompanhamento quando procuram a ProACE. As equipes de Assistência Social e Psicologia entram em contato com as famílias sempre que necessário, inclusive com visitas presenciais – com anuência da pessoa atendida. Também são realizadas discussões semanais de casos, para aprimorar o atendimento. “O atendimento em Saúde Mental nunca se dá de forma isolada, é preciso atuar em redes. Externamente, atuamos em comunicação constante com as equipes municipais de Saúde Mental e Assistência Social que, infelizmente, se encontram bastante enfraquecidas em alguns dos municípios dos campi. Internamente, também buscamos constituir redes”, pontuou o Pró-Reitor, exemplificando com o edital do Programa Institucional de Acolhimento e Incentivo à Permanência Estudantil (Piape) com foco em Saúde Mental e Qualidade de Vida.

A Reitora, que é profissional da área da Saúde, alertou para os distintos papéis dos atores envolvidos em redes de prevenção e cuidado, frisando que não cabe à Universidade o cuidado individualizado dos pacientes. “Nós sentimos que há expectativa na comunidade de que a Universidade possa prover cuidado assistencial em Saúde Mental para todas as pessoas, e é preciso alinhar esta expectativa à realidade. Esse cuidado deve estar presente na rede pública de cuidados em Saúde, que sabemos estarem desarticuladas e desestruturadas”, situou Oliveira. “Assim, é nosso papel fazer a luta para que essas políticas se fortaleçam, para que haja profissionais qualificados para a assistência no SUS em todas as esferas da saúde pública. E, à Universidade, compete propor e implementar ações de promoção e prevenção, e é nessa perspectiva que queremos trabalhar”, defendeu.

A dirigente também enfatizou a relevância da construção coletiva e da participação de toda a comunidade universitária na busca das melhores soluções. “Faço aqui um chamado para que toda a comunidade apoie as ações”, expressou. “A construção democrática demanda mais tempo, mas é absolutamente importante. A gestão autoritária pode dar a sensação de mais agilidade, mas compromete a eficiência. A história recente da UFSCar mostrou isso, e a comunidade manifestou no processo eleitoral que deseja uma gestão democrática, e por isso os processos demandam naturalmente mais tempo”, lembrou a Reitora.

“O cuidado é responsabilidade do profissional de Saúde quando a pessoa adoece, mas cabe a todos nós nos tornarmos de fato uma comunidade e cuidarmos uns dos outros. Saúde é algo muito mais amplo que doença, e precisamos poder estar juntos, sermos mais flexíveis, solidários e empáticos nas nossas relações”, reforçou o Pró-Reitor de Assuntos Comunitários e Estudantis.

Além da ProACE, também relataram ações as pró-reitorias de Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e de Gestão de Pessoas, além da Secretaria Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (SAADE). Dentre outras iniciativas, destacou-se o programa Pluralizar, que deverá oferecer bolsas de pesquisa a estudantes desde a graduação até o mestrado, visando inclusão de populações sub-representadas neste universo, com a participação também de tutores. A iniciativa, concebida pela atual Administração Superior da UFSCar, contará com apoio financeiro do Instituto Serrapilheira, e deverá ser iniciada em breve.

Caminhos futuros
A Vice-Reitora e Presidente do Comitê Gestor da Pandemia, Maria de Jesus Dutra dos Reis, apresentou os debates que subsidiaram a proposta de replanejamento do “Vencendo a Covid-19”, para, além de cuidar das questões sanitárias, identificar e endereçar novos impactos produzidos pela pandemia.

A Vice-Reitora também resgatou a Política de Saúde Mental e contou como, nos trabalhos para sua operacionalização, ficou clara a necessidade de articulação à Política de Prevenção, Redução e Mitigação de Danos da Violência, uma vez que a violência está na raiz de boa parte dos problemas de Saúde Mental. Assim, ficou acordado que, na próxima Reunião Ordinária do ConsUni, agendada para o dia 30 de setembro, será realizado o debate sobre o enfrentamento da violência. O documento a ser apreciado na ocasião pode ser conferido no Portal da UFSCar.

Também foi destacada a urgência de diagnósticos sobre impactos da pandemia e condições de Saúde Mental da comunidade universitária. Nas próximas semanas, serão aplicados, com esta finalidade, instrumentos elaborados pela Comissão Própria de Avaliação (CPA) – para avaliação do Ensino Não Presencial Emergencial – e pelo CGP – de avaliação das atividades presenciais –, cujo preenchimento por todas as pessoas que compõem a comunidade universitária é indispensável ao planejamento das próximas ações necessárias.

Setembro Amarelo
Durante a reunião do ConsUni, a Reitora da UFSCar também compartilhou estar em diálogo com as universidades federais e estaduais paulistas sobre ações conjuntas na área de Saúde Mental. “Não vamos trabalhar nisso sozinhos”, expressou Oliveira.

Um primeiro passo acontecerá no dia 29 de setembro, às 17 horas, em debate online com especialistas das quatro instituições federais paulistas: IFSP e universidades federais de São Paulo (Unifesp) e do ABC (UFABC), além da UFSCar. A conversa será coordenada pela Vice-Reitora da UFSCar, que é docente do Departamento de Psicologia, com participação de Elson Asevedo, médico psiquiatra, Diretor Técnico do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental e Coordenador do Centro de Promoção de Esperança e Prevenção de Suicídio (Conversas de Vida) da Unifesp; e Elizabeth Alves Pereira, psicóloga no IFSP. O quarto participante será representante da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Políticas Afirmativas da UFABC.

Integrantes da comunidade universitária com eventos ou outras atividades programadas para o Setembro Amarelo podem encaminhar informações à Coordenadoria de Comunicação Social (CCS), pelo e-mail ccs@ufscar.br, para apoio na divulgação e inclusão em programação geral.

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