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Evento internacional da UFSCar reuniu jovens cientistas

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e o pesquisador Alex S. Lima da Universidade de Gotemburgo (Suécia) realizaram, nos dias 16,17, 24 e 25 de junho, o debate on-line “I Fronteiras em eletroquímica e eletroanalítica: avanços realizados por jovens cientistas”. O evento reuniu pesquisadores brasileiros que trabalham em instituições nacionais e internacionais com linhas de pesquisas em eletroquímica e/ou eletroanalítica, além de palestrantes brasileiros e estrangeiros, com relevantes trabalhos nas áreas.

Entre os pesquisadores que integraram o debate: Bruno Campos Janegitz, do Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME) do campus Araras da UFSCar; Thiago Paixão, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP); Raphael Nagao, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Gabriel N. Meloni da Universidade de Warwick (Inglaterra); Carla Santana Santos, da Universidade Ruhr-Bochum (Alemanha) e Cecília C. C. Silva do MackGraphe (Universidade Presbiteriana Mackenzie).

As apresentações foram conduzidas por jovens pesquisadores e doutores que abordaram as realizações dos diferentes grupos de pesquisas na atualidade. “Organizamos o evento em parceria com a Universidade de Gotemburgo para discutir e estimular os jovens cientistas a realizarem pesquisas nas áreas de eletroquímica e eletroanalítica, principalmente diante da pandemia de COVID-19”, explicou o pesquisador da UFSCar, Prof. Dr. Bruno Campos Janegitz.

A eletroquímica e a eletroanalítica são ramos da físico-química e da química analítica, respectivamente, e desempenham papel importante no desenvolvimento da ciência. “O debate permite a troca de experiências proporcionando discussões sobre temas atuais, contatos e novas parcerias dentro da eletroquímica e da eletroanalítica, incluindo novas formas para a detecção da COVID-19”, finalizou o Professor Bruno Janegitz.

O “I Fronteiras em eletroquímica e eletroanalítica: avanços realizados por jovens cientistas” contou com o apoio da Sociedade Brasileira de Química, da Sociedade Brasileira de Eletroquímica e Eletroanalítica e Metrohm Brasil.

Debates sobre eletroquímica e eletroanalítica têm relevância no caso da COVID-19

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UFSCar é credenciada como unidade EMBRAPII

Conquista torna a Universidade mais competitiva no desenvolvimento de soluções tecnológicas para as indústrias do País

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) foi credenciada, na manhã desta quarta-feira (10), como unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), referência no setor de inovação e tecnologia industrial. Um encontro virtual marcou o credenciamento.

Na UFSCar, a nova unidade da EMBRAPII irá desenvolver projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) na área de Materiais e Processos Sustentáveis, e está vinculada ao Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia (CCET). O gerenciamento dos projetos será realizado pela Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI.UFSCar).

“O credenciamento como unidade EMBRAPII torna a UFSCar mais competitiva no desenvolvimento de soluções tecnológicas para as indústrias do nosso país. Hoje, entramos para um seleto grupo de Instituições”, afirmou a Reitora da UFSCar, Wanda Hoffmann.

A EMBRAPII é uma agência de desenvolvimento da inovação na indústria do País por meio da colaboração com institutos de pesquisas e Universidades. Está vinculada aos Ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e os dois órgãos federais repartem igualmente a responsabilidade por seu financiamento.

A UFSCar foi uma das 11 Instituições credenciadas, dentre 37 propostas apresentadas, no último edital.  Hoje, o Brasil tem 56 unidades EMBRAPII. “A UFSCar soube identificar a área em que ela tem competência nacional indiscutível. A UFSCar fez algo que a gente espera: que o Reitor saiba exatamente quais são os setores em que vale a pena competir”, afirmou Jorge Guimarães, Diretor-Presidente da EMBRAPII, durante a cerimônia.

Atualmente a EMBRAPII tem 944 projetos apoiados, 644 empresas parceiras e mais de R$ 1,48 bilhão em projetos de empresas em P&D. “Nossa expectativa era credenciar de 4 a 5 Instituições, mas a EMBRAPII conseguiu viabilizar o credenciamento de 11 Universidades. Estamos felizes com o resultado. Na SESu/MEC, vamos trabalhar nos remanejamentos orçamentários e aumentar para 20 o número de Universidades credenciadas, ampliando a pesquisa e o desenvolvimento do nosso País”, afirmou Wagner Villas-Boas de Souza, Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação – SESu/ MEC.

Durante o credenciamento, a Reitora Wanda Hoffmann agradeceu a toda a equipe que trabalhou para viabilizar a unidade EMBRAPII na UFSCar. “Agradeço o empenho da nossa equipe na Universidade, que trabalhou de forma integrada para responder adequadamente aos requisitos do edital da EMBRAPII”, finalizou a Reitora.

O Coordenador da Unidade EMBRAPII UFSCar é o Professor Ernesto Chaves Pereira de Souza, do Departamento de Química (DQ); seu Vice-Coordenador é o Professor Rafael Vidal Aroca, do Departamento de Computação (DC) e Diretor da Agência de Inovação (AIn) da UFSCar. A EMBRAPII UFSCar é sediada pelo CCET, cujo Diretor é o Professor Luiz Fernando de Oriani e Paulillo. Nas linhas de pesquisa, os coordenadores são: Elson Longo, em Materiais Funcionais; Arlene Corrêa, em Materiais em Processos e Produtos Sustentáveis; e Luiz Antonio Pessan, em Materiais e Processos Avançados.

Encontro virtual marcou o credenciamento da UFSCar à EMBRAPII (Foto: Divulgação)

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Resposta da UFSCar à COVID-19 mostra engajamento da comunidade

Devido à pandemia do novo Coronavírus, a UFSCar suspendeu as atividades acadêmicas presenciais no dia 14 de março, mas continuou a atuar de forma predominantemente remotaAs atividades presenciais continuaram apenas nos serviços essenciais, seguindo as orientações do Comitê de Controle e Cuidados em Relação à Covid-19 da UFSCar.

O evento virtual denominado “Marcha pela Ciência e pela Vida: UFSCar em Ação no Combate à COVID-19” foi realizado no mês de maio para reportar as ações da Universidade em resposta à COVID-19. Foram cerca de 60 mini palestras mostrando ações da UFSCar nas áreas de saúde, educação e inclusão. Também foram apresentadas ações da UFSCar para adaptação de suas rotinas de trabalho e a trajetória de sua atuação na linha de frente contra a COVID-19. “Nesse momento da pandemia, a comunidade UFSCar decidiu apoiar a sociedade. Buscamos caminhos e soluções para o enfrentamento da COVID-19. Este evento trouxe uma amostra do que é a UFSCar”, afirmou a Reitora da UFSCar, Wanda Hoffmann.

A UFSCar respondeu de forma espontânea às necessidades da sociedade. “A sociedade gritou por socorro e a UFSCar respondeu prontamente. Em 2 meses, foram formalizados 88 projetos de extensão voltados ao enfretamento da COVID-19, com participação de todos os Centros Acadêmicos da Universidade”, explicou o Pró-Reitor de Extensão, Roberto Ferrari Júnior. Os temas das iniciativas? Produção de protetores faciaisálcool 70%testes para diagnóstico da COVID-19; projeto de respiradores e outros equipamentos hospitalares; cartilhas de orientação e apoio aos mais diversos grupos em isolamento social; aplicativosapoio a empresas em dificuldades, dentre outros.

Como foi possível, para a UFSCar, passar a atuar de forma predominantemente remota? “Nos últimos 3 anos a UFSCar investiu em infraestrutura de hardware, software e melhoria da sua rede. A implantação do SEI (Sistema Eletrônico de Informação), o treinamento para uso do SEI a mais de 1.200 servidores docentes e técnico-administrativos e a digitalização de processos também foram fundamentais para a continuidade do trabalho durante a quarentena”, afirmou Márcio Merino Fernandes, Pró-Reitor de Administração.

Algumas ferramentas e serviços foram disponibilizados ou reforçados no início da quarentena, e a demanda aumentou fortemente. “Até o dia 26 de maio aconteceram quase 13 mil reuniões por meio do Google Meet, com cerca de 24 mil horas de encontros nesta plataforma. O Google Classroom, disponibilizado recentemente, já tem em torno de 300 salas criadas”, contou o Secretário-Geral de Informática, Erick Lázaro Melo.

Uma das estratégias para dar dinamismo às atividades de ensino de graduação ao longo da pandemia foi a criação de um Período Letivo Suplementar com o oferecimento de disciplinas de modo remoto. O foco destas disciplinas ofertadas foram atividades de monografia, trabalhos de conclusão de curso (TCC) e seus respectivos projetos, além de ACIEPES – Atividades Curriculares de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão, que por sua característica extensionista viabilizam uma ação direta na sociedade. Foram oferecidas 75 disciplinas e 69 ACIEPES. Estas contam com o envolvimento de mais de 212 docentes e 7.941 estudantes de graduação da UFSCar, além de membros da comunidade externa. “O período letivo suplementar viabilizou as ofertas das ACIEPES e a formalização das atividades que já vinham ocorrendo. Inicialmente ofertamos cerca de 4 mil vagas, mas ao final nós tivemos quase 8 mil inscrições e aceitamos praticamente todos os inscritos”, afirmou Cláudia Gentile, Pró-Reitora Adjunta de Graduação.

Para auxiliar professores e alunos no desafio de estudar em ambientes virtuais, a Secretaria Geral de Educação a Distância (SEaD) criou o INOVAEH (Espaço de Apoio ao Ensino Híbrido), que reúne materiais destinados aos docentes, estudantes e demais interessados. O objetivo é a capacitação de professores nas novas tecnologias para que possam utilizá-las em suas atividades. Para os estudantes, o apoio é quanto à organização dos estudos.

O Hospital Universitário (HU-UFSCar) destinou 44 leitos para pacientes suspeitos ou confirmados e abriu sua Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com 10 leitos destinado à COVID-19. Na Unidade Saúde-Escola – USE estão sendo realizados 8 projetos de extensão e 3 projetos de pesquisa relacionados à COVID-19. Tanto o HU quanto a USE passaram a utilizar o teleatendimento, o telemonitoramento e a teleorientação como formas de interação remota.

Os Restaurantes Universitários continuam a funcionar de modo adaptado, com foco no apoio aos estudantes que permanecem na Universidade. As bolsas de permanência estão sendo mantidas ao longo da quarentena. Além disso, a Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (ProACE) reportou ações de acolhimento e orientaçãomapeamento dos estudantes em vulnerabilidadediagnóstico de necessidadesdistribuição de máscaras e kits de limpeza para os apartamentos das moradias estudantis, suporte social, dentre outros serviços.

Toda a movimentação da Comunidade UFSCar para enfrentar a COVID-19, ao longo dos primeiros 54 dias da quarentena, deu origem a 414 produtos de informação nos veículos de divulgação institucionais (Portal da UFSCar, InfoRede, Redes Sociais, dentre outros). O impacto das ações da UFSCar na imprensa foi marcante: 442 reportagens em 210 veículos de divulgação de todo o Brasil. O novo Coronavírus trouxe inúmeros desafios e a UFSCar, Universidade ativa, dinâmica e diversa, está se reinventando com o compromisso de melhorar a vida da comunidade, seja ela interna ou externa. “Mais do que nunca, a UFSCar está trabalhando e mostrando que é uma Universidade imprescindível para a sociedade”, concluiu a Reitora Wanda Hoffmann.

Para saber mais sobre as ações da UFSCar no combate e enfrentamento à COVID-19 acesse o Portal COVID-19 UFSCar.

Acesse os vídeos contendo cada uma das palestras do Workshop Virtual da UFSCar:

Mesa 1 – UFSCar na Linha de Frente contra a COVID-19

Mesa 2 – UFSCar Marchando pela Saúde

Mesa 3 – UFSCar Marchando pela Educação

Mesa 4 – UFSCar Marchando pela Inclusão

Mesa 5 – UFSCar Marchando para Transformar Ciência em Qualidade de Vida

Mesa 6 – UFSCar Marchando para Adaptar-se a um Novo Momento

Mesa 7 – UFSCar Marchando para Informar a Sociedade

88 projetos de extensão foram formalizados em dois meses (Foto: CCS/ UFSCar)

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Impulso na inovação: UFSCar é credenciada como unidade EMBRAPII

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) foi selecionada para possuir uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII). Dentre as 37 propostas apresentadas por meio de edital, 11 foram selecionadas – todas de Universidades Federais.

As novas unidades EMBRAPII têm cerca de R$ 30 milhões para investir em projetos inovadores. Ao todo, a rede credenciada conta com 55 unidades.

Como funciona – Empresas que desejam executar ações de Pesquisa e Desenvolvimento em parceria com a Universidade têm o investimento complementado por recursos concedidos a fundo perdido pela EMBRAPII. Assim, o investimento necessário para a empresa investir em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) acaba sendo dividido entre os atores. “É um modelo ágil e atrativo para desenvolvimento de projetos por meio de parcerias Universidade-Empresa. É uma via de mão dupla: potencializa a inovação nas empresas por meio da alta capacidade de pesquisa presente nas Universidades; As Universidades, por sua vez, recebem maior investimento para suas pesquisas”, explica o Vice Coordenador da Unidade EMBRAPII UFSCar, Rafael Vidal Aroca.

Atuação da Unidade EMBRAPII UFSCar – O credenciamento viabiliza à Universidade executar projetos na área de Materiais e Processos Sustentáveis. “É inegável o grande conhecimento acumulado dentro da UFSCar na área de materiais avançados. Com a instalação da Unidade EMBRAPII teremos mais uma forma de transferir parte deste conhecimento para a sociedade. Através da EMBRAPII teremos a possibilidade de co-financiar parcerias de pesquisadores da UFSCar com empresas objetivando auxiliá-las a aumentar a sua competitividade tanto em nível nacional como internacional”, conta o Professor Ernesto Chaves Pereira de Souza, Coordenador da Unidade EMBRAPII UFSCar.

A Unidade EMBRAPII UFSCar está vinculada ao Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia (CCET) da Universidade. Na proposta submetida à EMBRAPII, são 42 membros dentre professores, técnicos e colaboradores da Instituição. “Preparamos uma proposta inovadora e que chamou a atenção da EMBRAPII. O CCET se orgulha de abrigar a primeira unidade EMBRAPII da história da UFSCar. Sonho antigo, realizado por uma equipe de alto currículo e produção científica. Essa Unidade será consolidada com pluralidade, compromisso com a qualidade e envolvimento de diversos pesquisadores de nossos Departamentos e Laboratórios. Será o nosso desafio consolidar esta Unidade nos próximos 3 anos. Sempre com a marca de qualidade UFSCar, muito conhecida no campo científico e industrial”, reforça o Diretor do CCET, Professor Luiz Fernando de Oriani e Paulillo, que também integra equipe.

Sustentabilidade – Professora Alessandra Lucas, pesquisadora do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa), compõe a equipe. A partir do credenciamento da Universidade, a Professora já planeja trabalhar com a EMBRAPII para desenvolvimento de canudos biodegradáveis.

Importância para a UFSCar – O credenciamento como unidade EMBRAPII torna a UFSCar ainda mais competitiva. “Fica mais fácil celebrar parcerias e captar investimentos externos junto a organizações e empresas. A UFSCar já tem grande potencial para realizar pesquisas de ponta. Lutamos muito para que este credenciamento fosse possível, pois irá fortalecer ainda mais as pesquisas da UFSCar”, finaliza a Reitora da Universidade, Wanda Hoffmann.

Universidades credenciadas têm até R$ 30 milhões para investir em projetos (Foto: CCS/ UFSCar)

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Pesquisadores da UFSCar desenvolvem teste rápido para detectar COVID-19

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) estão desenvolvendo dispositivos para a identificação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) em pacientes infectados, em ambientes contaminados e até mesmo nas redes de esgoto.

O projeto prevê a utilização de um sensor eletroquímico para a detecção, na saliva do paciente, de pelo menos três sequências do genoma do vírus. A pesquisa tem o apoio da FAPESP, no âmbito do edital Suplementos de Rápida Implementação contra COVID-19.

“Nosso objetivo é desenvolver uma metodologia simples e de baixo custo para o diagnóstico de COVID-19. A plataforma de testes descartável fará uso de materiais de fácil acesso e equipamentos simples e também permitirá a análise de diferentes amostras simultaneamente”, diz Ronaldo Censi Faria, pesquisador do Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que lidera o projeto.

De acordo com Faria, o teste rápido consiste em um dispositivo com vários compartimentos (canais microfluídicos), no qual a saliva do paciente é inserida. Os compartimentos contarão com quatro regiões sensoras (chips) programadas para identificar pedaços do RNA do vírus. “A detecção se dá por eletroquimiluminescência, ou seja, a partir da reação eletroquímica entre o sensor e o RNA do vírus ocorre a emissão de luz. Com isso, se o sensor detectar pelo menos uma das sequências de RNA, um ponto de luz irá surgir, indicando que o paciente está infectado”, diz.

Em 2017, a equipe de Faria desenvolveu um dispositivo semelhante para a detecção de biomarcadores da doença de Alzheimer. “Normalmente, trabalhamos em conjunto com médicos e especialistas de outras áreas que nos apresentam um problema. No caso do dispositivo do Alzheimer, a professora Márcia Cominetti, do Departamento de Gerontologia da UFSCar, nos procurou após ter identificado que pacientes com Alzheimer apresentavam alteração em uma proteína [ADAM10] presente no sangue”, diz.

O grupo de pesquisadores desenvolveu então um sensor para detectar a presença dessa proteína em um dispositivo de baixo custo já patenteado, mas ainda sem previsão para ser comercializado.

Biomarcadores proteicos
De acordo com Faria, a metodologia usada no desenvolvimento dos testes para COVID-19 é uma adaptação de uma série de dispositivos que estão sendo desenvolvidos nos laboratórios para identificar a ocorrência de outras doenças, como câncer, leishmaniose, hanseníase, zika e Alzheimer.

“O nosso laboratório tem experiência no uso de biomarcadores proteicos para a identificação de doenças. Alguns deles já eram marcadores conhecidos que utilizamos em dispositivos, outros eram biomarcadores novos, como o caso do nosso dispositivo para detectar Alzheimer. Nesse novo projeto usaremos marcadores de RNA, partes da sequência de RNA que foram separadas pelo pesquisador Matias Melendez, que integra o nosso grupo”, diz.

No estudo para COVID-19, os pesquisadores vão testar a aplicação dos biomarcadores genéticos inicialmente em amostras com sequências sintéticas. Na segunda fase do projeto, haverá comprovação da técnica em amostras de pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 fornecidas pelo Hospital Universitário da UFSCar, por meio de uma colaboração do pesquisador com o professor do Departamento de Medicina Henrique Pott Junior.

Identificação do vírus em ambientes
A equipe multidisciplinar também está desenvolvendo outros tipos de testes com sensores para a identificação do vírus em ambientes, como casas, ruas e escritórios, e no sistema de esgoto. Esses dois outros projetos estão sendo apoiados por um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
“Como já temos uma metodologia, é do nosso interesse adaptá-la para diferentes usos, desde que seja possível identificar um biomarcador para a doença”, diz.

Além de trabalhar com a detecção de sequências de RNA do vírus, o grupo busca desenvolver ainda outra abordagem a partir do capsídeo do vírus (a membrana que envolve o vírus). “Se conseguirmos detectar o capsídeo, podemos desenvolver um teste mais abrangente e que precisaria de menos tratamento da amostra”, diz.

Faria explica que para atingir o RNA é preciso uma solução para “quebrar” o vírus e expor o material genético a ser detectado pelo sensor. “Ao identificar o capsídeo será possível detectar o vírus diretamente, o que abre um leque de possibilidades, como criar um dispositivo para identificação em sistema de esgoto ou no ar. Com isso, seria possível monitorar a distância o ambiente externo e mapear a contaminação de áreas pelo esgoto ou por coleta de material particulado na atmosfera”, diz.

(Artigo publicado na Agência FAPESP por Maria Fernanda Ziegler em 13 de maio de 2020)

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