UFSCar investe na construção de uma floresta urbana nativa, saudável e segura

Mais de 700 mudas de árvores foram plantadas nos últimos 3 anos no campus São Carlos

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) está investindo na manutenção preventiva e corretiva e recuperação de espécies nativas de árvores no campus, em São Carlos. Nos últimos 3 anos, mais de 700 mudas foram plantadas. O último plantio foi feito pelos alunos do projeto MovimentAção, do curso de Fisioterapia, e ocorreu no entorno do Departamento de Fisioterapia, na sexta-feira (13).

Desde 2017, a Universidade adotou um protocolo para o plantio, poda e supressão de árvores. O trabalho é coordenado pela Secretaria de Gestão Ambiental e de Sustentabilidade (SGAS) com apoio do Escritório de Desenvolvimento Físico (EDF) e visa a preservação ambiental e promoção da qualidade de vida da comunidade universitária.

Além do protocolo interno, todos as solicitações são avaliadas pelos órgãos ambientais competentes: CETESB, em nível estadual, e Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação, órgão responsável pelo meio ambiente em nível municipal.

Qualquer ação de plantio de mudas, poda ou corte de árvores, manejo ou supressão de vegetação nativa e pesquisas devem ser solicitadas a SGAS. “A comunidade não conhece a Universidade e por isso, deve fazer a solicitação. No caso de plantio, por exemplo, com apoio do EDF, é feito uma avaliação que vai apontar a rede estrutural, água, luz, fibra ótica. Isso nos ajuda na escolha da espécie mais adequada para aquele local”, explicou a engenheira agrônoma, Gabriela Strozzi, técnica agropecuária da UFSCar.

No caso remoção de árvores, é necessária uma autorização do órgão ambiental competente. “A supressão de árvores só será efetivada após criteriosa avaliação e autorização da Coordenadoria do Meio Ambiente ou da CETESB. Geralmente, árvores com elevado potencial de risco em áreas públicas. Depois de retirada temos que fazer a compensação ambiental”, completou Gabriela. Já para a realização de podas preventivas e corretivas não é necessária autorização dos órgãos ambientais.

A professora do Departamento de Hidrobiologia (Dhb), Dalva Maria da Silva Matos, PhD em Ecologia, explica que “os cortes são necessários porque assim como os outros seres vivos, as árvores também envelhecem, adoecem e morrem. É preciso fazer essa manutenção, antes que ela cause um acidente mais grave”.

Ainda segundo ela, o campus tem muitas árvores exóticas e invasoras que causam impactos negativos ao ecossistema. “Aos poucos, temos que retirar as árvores invasoras. Elas trazem problemas graves, não só em relação a uma perda de biodiversidade, como quantidade de água, ciclagem de nutrientes, polinização, mas também problemas de saúde pública com a expansão de febra maculosa, de hantavirose, por exemplo”, cita a professora.

Atualmente, todos os plantios dentro da UFSCar são feitos buscando priorizar espécies nativas que são produzidas no viveiro da Universidade a partir da coleta e processamento de sementes do próprio campus. A preferência por mudas do Cerrado tem sido uma prática que a SGAS vem trabalhando para implementar. “Vamos proteger o que de fato tem que ser protegido. Aqui nós temos um trecho de cerrado que está sendo protegido e recuperado”, finaliza ela.

Vale destacar que desde 2017, a SGAS vem trabalhando no mapeamento e avaliação de todas as árvores do campus. “O levantamento das árvores foi iniciado com a participação de alunos do curso de Gestão Ambiental e Ciências Biológicas, que priorizaram as árvores dos 19 estacionamentos do campus, dado a grande circulação de pessoas e concentração de árvores nesses locais. O trabalho da SGAS foi tema de um capítulo do livro “Universidades Rumo a Sustentabilidade”, editado pelo Professor Dr. Tadeu Fabrício Malheiros (USP) e colaboradores e lançado em 2019”, contou a engenheira agrônoma da SGAS, Raquel Boschi.

Compensação ambiental – Prevista na Resolução COMDEMA/SC nº 01/2012, a cada árvore cortada dentro do campus, a UFSCar tem que doar ou plantar um número específico de mudas, que varia com o fato da espécie removida ser nativa ou exótica e com o DAP (diâmetro a altura do peito) da árvore. Para espécies exóticas a compensação é sempre menor. Por exemplo, para uma espécie nativa removida com DAP > 0,45 m é necessário plantar 08 mudas ou doar 60. Caso seja uma espécie exótica, com o mesmo DAP, o número de mudas plantadas vai para 06 e doadas para 40 mudas.

Plantio Fisioterapia – Na última semana, o SGAS realizou um plantio de 10 mudas de árvores nativas no entorno do Departamento de Fisioterapia. A solicitação foi feita pelos alunos do projeto MovimentAção. “O projeto atua em várias áreas. Escolhemos a área ambiental por causa dos benefícios que as árvores vão trazer para o Departamento”, contou a estudante Julia Perea, estudante do 3º ano do curso de Fisioterapia.

“O mundo está sofrendo tanto com devastação. Nós pensamos numa forma simbólica de ajudar o meio ambiente”, disse Pedro Bittencourt, estudante do 2º ano de Fisioterapia. “Na área norte, tem poucas árvores e visualmente não é tão bonita como na área sul. Além disso, quando nós caminhamos por aqui, sentimos muito calor. Por isso, nós decidimos fazer o plantio”, concluiu Vander Gava, estudante de pós-graduação Fisioterapia.

Para solicitar plantio ou algum outro serviço ambiental é só acessar o site da SGAS.

Quem quiser saber um pouco mais sobre o livro  “Universidades Rumo a Sustentabilidade”, acesse aqui.

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